TINA
Dança de Tina
Segundo a estudiosa guineense Maria Odete Semedo, a Tina não pertence a nenhum grupo étnico específico, porém, ela é praticada apenas por membros de grupos étnicos considerados cristãos.
A dança de Tina tem o seu surgimento ligado ao inconformismo das mulheres. A Tina pode ser entendida como uma forma de desabafo de que as mulheres se utilizavam como forma de dirigirem indiretas para suas kumbossas, outras esposas do seu mesmo marido, consideradas rivais.

Antigamente, era mais comum que os homens casassem com mais de uma mulher, ou seja, a prática de poligamia era feita com mais frequência. Entretanto, no descontentamento de Dona Casa, a primeira mulher a se casar com o marido, por causa do medo de o marido se apaixonar e gostar mais de noiba nobo, a mulher mais recente, na lagoa, quando lavavam a louça ou as roupas, usavam as suas cabaças para tocar e cantar seus desaforos.
Na roda de dança de tina, o canto é dividido entre homens e mulheres. A dança e as palmas ficam a cargo das mulheres; a percussão, a cargo dos homens. A tina é um instrumento musical tradicional da Guiné-Bissau.
Segundo o musico e compositor Manecas Costa, um dos guitarristas guineenses mais conhecidos na Guiné-Bissau e no mundo, os mais velhos contam que, na região de Cacheu, a tradição das mulheres era as mulheres irem lavar suas roupas nos rios e apanharem água para outras necessidades nas cabaças. Esse era o quotidiano das mulheres. Um dia, uma delas deixou a cabaça cair na água, e esta, por sua vez, produziu um som parecido com um zumbido.
Quando as mulheres voltaram para casa, pegaram um tanque e colocaram nele água e a cabaça, criando assim este instrumento musical tradicional guineense, também conhecido como tambor de água. Na tina, usam-se também as palmas, que os grupos de mandjuandadi usam para apoiar a produção do som.
As cantigas da Tina, segundo Maria Odete Semedo, tem a sua origem nos grupos de mulheres chamados de Mandjuandadi. Dentre as muitas funções sociais desses grupos, uma delas é as mulheres aproveitarem os seus momentos de encontro para expressarem os seus sentimentos e também para denunciarem maus-tratos ou conflitos familiares.
Semedo ainda realça a tradição das cantigas de ditos, tradição poética oral dessas coletividades, lembrando que o que é narrado ou contado não é obrigatoriamente a história ou biografia de quem cria e canta essas cantigas. Homens e mulheres podem criar suas próprias cantigas tendo em conta suas próprias experiências, mas isso não significa que expresse a própria vida e os próprios sentimentos.
Nas mandjuandadi, embora sejam associações de mulheres, há também alguns homens que cantam e que abertamente criam cantigas de dito interpretadas por mulheres. Durante os encontros, os homens imitam as mulheres, assumem sentimentos femininos, choram mágoas, narram histórias vividas por mulheres. Em outros casos, ironizam sobre as mulheres, falam mal delas, chamando-as de ingratas, levianas e interesseiras.
Nas cantigas de dito, verificam-se críticas em relação a muitas práticas e muitos sentimentos considerados nocivos para uma vida harmoniosa. Por essa razão, elas acabam sendo, tanto para as mulheres como para a sociedade, uma forma de ensinamento e aprendizagem.
Desde o momento em que a cantiga é cantada, ela deixa de pertencer a quem a criou, passando a ser propriedade de toda a comunidade que se revê nela.
Há mulheres que, por iniciativa própria, criam suas próprias músicas. Em alguns casos, as mulheres se encontram em casamentos polígamos e se sentem revoltadas perante algo que não querem ou não podem revelar explicitamente, então o caminho para passar as suas mensagens de forma implícita é nessas cantigas.

Antigamente, era mais comum que os homens casassem com mais de uma mulher, ou seja, a prática de poligamia era feita com mais frequência. Entretanto, no descontentamento de Dona Casa, a primeira mulher a se casar com o marido, por causa do medo de o marido se apaixonar e gostar mais de noiba nobo, a mulher mais recente, na lagoa, quando lavavam a louça ou as roupas, usavam as suas cabaças para tocar e cantar seus desaforos.
A dança de Tina é feita em formato de círculo: onde alguns círculos tem pessoas sentadas e outros círculos as pessoas ficam sentadas tirando os que tocam a tina. Na roda, uma só pessoa canta enquanto o resto de participantes respondem. Na coreografia da música, entra uma ou duas pessoas no meio do círculo enquanto os outros batem palmas e cantam.
Os dançarinos vão se revezando sucessivamente, uma ou duas pessoas entrando na roda por vez. Depois de dançar, tem que voltar ao círculo, deixar a outra pessoa entrar para dançar. A movimentação da dança tem que acompanhar o ritmo da tina.
A pessoa equilibra o corpo para frente e coloca a mão no peito ou abanando, com o pé para frente atrás de lado acompanhado com o giro. Geralmente, na dança de Tina participam mulheres que pertencem à mesma classe social e trabalho, que se conhecem e convivem juntas.
A Tina engloba outras práticas que caminham de mãos dadas com ela. Como exemplo de uma dessas práticas temos a abota, que é uma espécie de poupança feita em sentido rotatório, aonde cada membro pertencente a um grupo de tina (grupos também chamados de irmandades ou mandjuandadi) contribui com um valor especifico acordado. No final do mês ou da semana ou do período acordado, a pessoa para quem estava sendo feita a poupança leva todo o dinheiro, e assim sucessivamente para todos os membros da irmandade.
As irmandades de Tina participam em cerimônias de casamentos, durante a saída da noiva para o tribunal, na chegada à casa, todos esses momentos são sempre acompanhados de músicas e danças de tina.
Cada dança tradicional guineense tem a sua forma de vestir. O vestuário que se utiliza na dança de tina é o pano de pente, que tem um grande valor cultural e tradicional para a comunidade guineense. O pano de pente é confeccionado no tear tradicional em formato de bandas ou tiras, que posteriormente são costurados ente si. Entre quatro a quatorze bandas são costuradas em um pano de pente.
De acordo com Semedo (2010, p. 95), os especialistas definem o pano de pente como um "pano usado pelas populações africanas, composto por bandas, faixas (ou teadas) tecidas em algodão, com larguras que vão de 7 a 21cm, bandas ou faixas em número de 4 a 13 unidas entre si, utilizadas como vestimenta para resguardo do corpo, como mortalha e para transportar ao dorso crianças pequenas". Cada etnia tem a sua forma e momento do uso de pano de pente.
Quando o tecido é retirado do tear, as mulheres se ocupam do corte, da costura, de torcer as pontas e de fazer o acabamento dos panos. O pano de pente tem muitas serventias: é usado no casamento tradicional, servindo de tapete dos noivos, também é usado pelos grupos de mandjuandadi, e também na cerimônia sagrada da etnia pepel, como roupa do defunto, etc. Devido à disparidade étnica e de línguas locais, os panos de pente têm diferentes denominações, porém o artefato é o mesmo.
Badju di Tina
Sugundo estudiosa guineense Maria Odete Semedo, Tina ka pertenci nim um raça, ma ita praticado pa djintis kuta considerado cristons.
Badju di Tina, si kumsada sta ligado na ka conforma di mindjéris. Tina pudi n´tindidu suma manera ku mindjeris ta usa pa bota ditu passé kumbossas.
Na tempo antigu, i mas fácil ba, bu odja homis kuta casa manga di mindjéris. Pa kila hora ku dona casa ka contenti ou ku medo di si homi bim mas misti noiba nobu, hora ké bai lagua, pa bai laba ropa, pratus ou ropas éta kumsa ba toca kabaz pa canta pa pudi bota ditu.
Na hora di badju, cantigas ta divido entre homis ku mindjéris. Palmus ta fica ku mindjeris; homis ta fica éna toca.Tina i um isntrumento di música tradicional na Guiné-Bissau.
Sugundo, músico compositir Manecas Costa, um di tokaduris di viola ma kunssido na Guiné-Bissau ku mundo, i fala kuma djintis ma bedjus di cacheu principalmente mindjéris, éta bai ba laba sé ropas na rio ku cata iagu pa utrus necessidades na sé dia-a-dia. Um dia, um delis dixa cabaz cai na iagu, i kila fassi um son zumbido.

Dipus ku é mindjéris riba casa, é intchi iago na tanque é n´borca cabaz lá. Di é manera é staba na cria um instrumento musical guineense, kunssido tambi suma tambur di iago. Na Tina ita usado tam palmus, ku grupos di kumpanharasco/mandjuandadi ta usa pa djuda ku som.
Cantigas de Tina segundo Maria Odete Semedo, tené sim origem na grupos tchomadu di mandjuandadi. Entri manga di funsons ku grupos di mandjuandadi tené, um son délis; i nundé ku mindjeris ta aproveita sé momentos pa expressa sé sentimentos ku denuncia maus tratos i violências ku conflitos familiares.
Semedo fala inda kuma tradison di cantigas di ditus, i um tradison poética oral di é grupos. Pa lembra di kuma keku ta narradu ou kantadu ta fassi parte di história di kinku n´venta ki cantiga. Homis ku mindjéris pudi n´venta sé propi cantigas, pabia di sé experiências de vida, mas kila ka misti fala di kuma, ina canta si bida pessoal ou sentimentus.
Muito embora, mindjéris ma tchiu na grupos di mandjuandadi, homis tambi ta fassi parte, nundé keta canta é n´venta cantigas di ditus ku pudi cantado pa utrus mindjéris. Duranti runions, homis ta fassi suma mindjéris nundé keta assumi sentimentos di mindjerdadi, éta tchorra di magua, é conta histórias ku mindjéris ta passa.
Na utrus casus éta ironiza sobri mindjéris, éta papia mal di quilas; tchoma élis di ingratas, cabeça lebi ku interesseiras.
Na cantigas di ditu, ita odjadu manga di críticas pa práticas di sentimentos di sentimentos kuka bali pa um vida harmusiosa.
Desdi momento ku cantiga ta cantado, ita dicha di pertenci kinku fácil, ita passa sedo di tudo mundo. Item manga di mindjéris ku cria sé músicas propi.
Na aguns casos mindjéris ta contra na casamentos ku sé kumbossas éta sinti revoltadas pa kussa ku éka misti ou éka pudi papa pa tudo mundo, único saída keta tené pa passa ki mensagens i né cantigas di ditus.
Badju di Tina ta fassidu na forma di círculo: nundé ku alguns círculos ta tené djintis ku sinta, tirando quilis kuna toka tina. Na roda, só um aguim kuta canta, enquanto qui, qui utrus ta fica éna rispundi. Na manera di badjal, ita entra um ou dus pussua na metade di circuo, enquanto qui utrus na toca palo é na canta tambi.
Badjaduris ta fica éna troca trás di n´utru, um ou dus pussua pudi entra na roda um bias. Dipus di é kaba badja éta riba pa circulo, dipus éta utru aguim pé entra tambi i bajda. Manera di badja dibidi kumpanha ku ritimo di tina.
Djintis ta equilibra curpo pa diante ku tras, é ta pui mon na pitu ou éta fica éna balançal, ku pé diante utru trás pa diante, pa lado esquerda ku direita éta caba, éna vira. Geralmente na badju di tina, mindjéris kuta participa ta fassi parte di memo tarbadju, kuta ianda djuntu, ku kunssi badja kumpanhér. Na tina tambi item utrus kussas kuta n´dianta djuntu kél. Ixemplo di um dé kussas i abota, nundé ku cada quim ta paga um balur di dinheiro ku combinado antis, dipus kada kim ta ricibi hora qui tchiga si vez.
Grupos di mandjuandadi di Tina ta participa na cerimónias de casamentos, durante saída de noiba na tribunal, ku hora kéna tchiga casa, é momentos ta kumpanhado de músicas ku badjus di tina.
Cada badju tradicional tené kuma ku djintis ta bisti p abai badjal. Manera di bisti p abai badja tina e uso di pano di pinti, ku tené um grandi balur cultural ku tradicional na comunidade guineense. Pano di pinti, ta fassidu tradicionalmente na formato di bandas ou tiras ku dipus ta kussidu djuntu. Entre qautro a catorze bandas ta kussidu na um pano di pinti.
Di acordo ku Semedo (2010, p. 95), especialistas ta difini pano di pinti suma um "pano uasado pa diferentes pubis africanos, kuta kumpudo pa bandas, faxas (ou tiadas) ticidos na algodon, ku larguras kuta bai di 7 a 21cm, ou faixas di números de 4 a 13 unidades entri élis, utilizados pa bisti na curpo, ita usado tambi suma babaran pa bambu mininus. Cada raça tené manera i momento keta usa pano di pinti.
Hora ku ticido tirado nundé kina kussidu nél, mindjéris ta ocupa na parte de corta, kussi, ku turssi pontas pa fassi acabamento di panus. Pano di pinti tené maga di sirbintias: ita usao na casamento tradicional, ita sirbi suma tapeti pa noivus, ita usado tambi pa mandjuandadis, na cerimónia sagrado de pepélis, suma ropa pa difuntu entri utrus. Manera ku manga di étnias, tau sal, pano di pinti dadu difetentes nomes, ma si costura i memu.
