Guiné-Bissau

Localização geográfica de Guiné-Bissau
A Republica da Guiné-Bissau situa-se na África Ocidental, entre o Senegal (ao norte), a Guiné Conacri (ao leste e ao sul) e o Oceano Atlântico (ao oeste). É constituída por uma parte continental e outra insular, o Arquipélagos dos Bijagós, com cerca de oitenta ilhas, das quais apenas dezessete são habitadas. O país ocupa uma extensão de aproximadamente 36.125 km. Em termos administrativos, a Guiné-Bissau divide-se em oito Regiões e um setor autônomo, Bissau. Estas Regiões administrativas dividem-se, por sua vez, em 36 setores.
A Guiné-Bissau se destaca pela sua diversidade étnica, contendo na sua formação social cerca de 30 grupos étnicos. Estes grupos, embora se relacionem entre si no quotidiano e nas práticas ritualísticas. De acordo com Joana Benzinho e Marta Rosa, com base no censo de 2009, as etnias com maior expressão na Guiné-Bissau são: Fula (28,5%), Balanta (22,5%), Mandinga (14,7%), Pepel (9,1%), Manjaca (8,3%) e os outros são menos de 3,7%.
A constituição em vigor no país caracteriza a Guiné-Bissau como um Estado laico. Mesmo com essa laicidade, o país apresenta as religiões locais como dominantes com 50% da população; 45% da população pratica a religião muçulmana; e 5% da população é cristã.
A atribuição do termo cristão para grupos sociais na Guiné-Bissau se dá de maneira simbólica. Os grupos a que é atribuído esse nome não precisam cumprir necessariamente com as exigências que a religião pede. Geralmente, todos os grupos sociais que não lêem e rezam (raça, em crioulo) o Alcorão são denominados cristãos, ao passo que os grupos sociais denominados muçulmanos são aqueles que realmente cumprem com as exigências do Islã.
Dentre os grupos considerados cristãos, podemos destacar: manjacos, pepelis, brames (mancanhas), balantas, kobiana, padjadinka, diola, bijago, baiote, banhum, nalu e kassanga. Dentre os grupos muçulmanos, se destacam: fula, mandinga, biafada, sarakulé, sussu, djakanka, maninka, e mansonca.
Motivo do titulo do projeto Cabaz-Garandi
A cabaça (kabaz/cabaz) é uma fruta, pertencente à família de cucurbitáceas, cuja forma se assemelha com a pera. Na sociedade guineense, a cabaça tem um valor simbólico muito importante e é utilizada em diferentes circunstâncias e localidades. Devido a este valor simbólico que a cabaça dispõe para nós guineenses, os membros do grupo decidimos escolher o nome "Cabaz garandi", por pertencermos à mesma nação.
Na Guiné-Bissau, nos discursos políticos, quando se fala de paz, estabilidade, harmonia, união e reconciliação nacional quase sempre são feitas referências à cabaça através da seguinte frase: pa mostra mundo kuma na um cabaz kunó ta kumé (pra mostrar ao mundo que comemos em uma cabaça).
Por sermos um país pluricultural, de línguas, costumes, músicas, danças, comidas, vestuários e modos de vida diferentes, é possível que haja uma harmonia entre diferentes grupos étnicos que compõem a população do país. Por isso, o titulo "cabaz garandi" tem uma dimensão nacional, pois todos os guineenses espalhados por esse mundo afora podem se sentir incluídos. Este termo traz sentimento de pertencer a algo.
A Cabaça na sociedade guineense
A cabaça na sociedade guineense está presente no uso doméstico, em cerimônias tradicionais e em festividades, inclusive como instrumento musical. Nas palavras de Semedo (2010, p. 109), na sua tese As Mandjuandadi - Cantigas de Mulher na Guiné-Bissau: da tradição oral à literatura (disponível em https://www.biblioteca.pucminas.br/teses/Letras_SemedoMO_1.pdf), ela "é um símbolo do ventre, que traz a vida dentro de si."
A cerimônia da cabaça no grupo pepel, por exemplo, mantém viva a linhagem materna, sendo a própria cerimônia nomeada como "cerimônia de andar/carregar a cabaça" (Ianda cabaz). O mesmo grupo tem uma outra cerimônia onde se utiliza a cabaça no propósito de se levar as oferendas aos irãs (deuses com poderes sobrenaturais) e aos ancestrais para se pedir proteção a eles.
A cabaça tem utilidades no campo da simbologia social e religiosa. Em diversas etnias, ela evidencia o nascimento de uma nova família, pois, para o pedido da mão de uma jovem em casamento, os familiares do pretendente têm que levar a cabaça com tudo que foi solicitado pela família da noiva.
Em seguida, se ambas as partes cumprirem com tudo o que é necessário para um casamento tradicional, essa cabaça é que vai simbolizar o inicio da união entre as duas famílias. Na cerimônia, os noivos têm que comer a comida na cabaça. Ao terminarem, é levada uma outra cabaça para eles lavarem as mãos.
No grupo social mandinga, a cabaça é utilizada para se transportar nela a comida dos fanados (circuncisados). Em cerimônias fúnebres do grupo social pepel, as mais velhas utilizam a cabaça para lavarem os mortos.
No grupo étnico mancanha, o luto nos homens é simbolizado por uma pequena cabaça que usam na cabeça como se fosse um chapéu, e o uso é cotidiano, todos os dias, menos na hora de dormir e de tomar banho. Esse luto tem duração de um ano. As mulheres usam um pano de pente na cintura e um no ombro, também por um ano de luto.
Também há rituais da cabaça não aberta. Crê-se que com o chocalhar das pequenas cabaças não abertas, atraem-se os espíritos dos ancestrais e dos irãs para os santuários tradicionais, as balobas, nos momentos em que se procura saber do futuro (SEMEDO, 2010, p.112). Vale a pena acentuar que, em cada situação em que a cabaça é usada, a comunidade reconhece o ato tradicional que está sendo realizado.


Localizasson geográfico di Guiné-Bissau
Républica di Guiné-Bissau, sta na Africa Ocidental entri Senegal (na norte) ku Guiné Conacri (na leste ku sul) i ku oceano atlântico (na oeste), pa um parte di terra firme ku utru insular, Ilha di budjugus, ku cerca di noventa ilhas nundé ku djintis morra só na dizasseti. Nó terra ta ocupa perto di 36.125 km. Na parte administrativo Guiné-Bissau, sta divididu pa oito rigion e um setor autônimo qui Bissau. É rigions administrativos tené 36 sectores.
Guiné-Bissau ta distaca na parte di si manga di étnias, nundé ki formado pa quase 30 grupos étnicos. É grupos ta vivi na érmondadi na dia a dia, ma na parti di cerimonias (censo demográfico, 2009). De acordo ku Joana Benzinho e Marta Rosa, a partir de censo di (2009) étnias/raças ku mas tchiu na Guiné-Bissau, são: Fula 28,5%, Balanta 22,5%, Mandinga 14,7%, Pepel 9,1%, Manjaca 8,3% e os outros são menos de 3,7%.
Constituisson ku stana vigora na terra ta mostra di kuma Guiné-Bissau i um estado ku manga di riligions, ma praticantis di riligion tradicional ou local mas tchiu ku 50% di djintis, sigundo i muçulmanos ku 45%. É povus tené diferenças na língua, cultura ku uss. Cristons (católico) tene 5%.
Tchoma um raça di criston na Guiné-Bissau ta fassidu di manera simbolica. Pabia raças kuta tchomadu di criston ka pricisa di kumpri exigências kuta fassidu pa igreja pa torna criston. Di manera geral, tudo grupo ku kata lei/raça alcoran ta tchoamdu di cristons. Muçulmanos i tudo raça kuta kumpri ku exigências di islamismo.
Entri raças considerados di cristons nó pudi odja: mandjakus, pepelis, mancanhis, balantas, kobiana, padjadinka, djola, bijago, baiote, banhum, nalu e kassanga. Entri raças muçulmanos, ita distaca: fula, mandinga, biafada, sarakulé, sussu, djakanka, maninka, ku mansoncas.
Motivo di titulo di projeto Cabaz Garandi
Kabaz, sugundo dicionário portuguis na internet i um fruta di familia di frutas, kuta rasta na tchon, suma bóbra, melancia ku utrus. Si forma ta parssi ku péra. Na sociedade guineense cabaz tené um balur simbólico garandi dimas, ita usado na manga di circunstancias ku kaus. Pabia di é balur ku kabaz tené pa nós fidjus di Guiné, djintis ku fassi parti de grupo, dicidi kudji nome di kabaz garandi pa Grupo.
Na Guiné-Bissau, hora ku nó politikus na papia, hora ké na fala paz, estabilidade, harmonia, union, ku reconciliason nacional, quase tudo hora ita refiri kabaz dés manera: pa mostra mundo kuma na um cabaz kunó ta kumé.
Suma nó terra tené manga di culturas, di língus, kustumes, musicas, badjus, kumidas, ropas, ku maneras di leba bida di manga di manera, i possivem pa i tem harmonia, entri raças ku fassi parti dinó terra. Pa quila titulo di "cabaz garandi" tené um dimenson nacional, pa tudo lado ku guineense sta ispalhado nél né mundo, pudi sinti orgulho, i um sentimento di pertenci um kussa.
Cabaz na sociedade guineense
Kabaz na sociedade guineense, na dia-a-dia ita usado na tarbadjus di casa, na cirmónias tradicionais ku festas i tambi suma instrumento di música. Na combersas di Semedo (2010, p. 109), i fala kuma "i simbulo di ventri, kuta tissi vida dentru dél".
Cirmónias de cabaz na raça pepél, suma exemplo, ita manti bibu linhagem di mamé, suma ku propi cirmónia dadu nome di ianda kabaz. Memu grupo tené utru cirmónia nundé ku kabaz ta usadu pa utru mistida, kidi leba irans kussas, suma manera di pidi proteson pa nó donas ku murri djá .
Kabaz ta usado na campo social ku riligioso. Na manga di étnias, él ita marca nascimentu di um nobu familia. Pa pedido di casamento; familias di homi, ta leba cabaz ku tudo kussas ku familia di mindjer pidi.
Dipus hora ku é n´tindi nútru i cabaz kuta simboliza union diqui dus djintis, kuna bai forma nobu familia. Na cirmónia, noivus dibidi kumé kumida na cabaz. Hora ku é kaba, éna laba mon na utru kabaz.
Na raça di mandingas cabaz ta usado pa léba bianda di fanados nobus. Na toca tchur di pepélis ki ma garandis ta usa cabaz pa laba difuntus.
Na raça di mancanhis, homis ta carga luto através di um cabaz na cabeça, suma chépeu, éta pul tudo dia, ita tirado só na hora di durmi ku laba kurpo. I é luto ta dura um ano. Mindjeris ta marra nam um panu di pinti na rabada i éta prinda um son na ombra pa mostra kuma é sta di luto.
Tambi na cirmónias di iabri mon, balança kabasis piquininus ta trai kilis ku murri dja, ku irans pa balobas, na momentu ku éna purcura sibi di amanhã (Semedo, p.112). I bom konta kuma na cada situason ku cabaz na usado, djintis ta reconheci i ké kuna fassidu.


